Oberdorla
| Local | Oberdorla / Niederdorla (município de Vogtei), perto de Mühlhausen, na Turíngia (Alemanha) |
| Tipo | Santuário a céu aberto numa antiga lagoa que virou turfeira (Opfermoor, “pântano dos sacrifícios”) |
| Uso | Do fim da Idade do Bronze ou início da Idade do Ferro (cerca de 600 a.C.) até o início da Idade Média (verificar) |
| Escavação | Günter Behm-Blancke, 1957–1964 |
| Achados principais | Dezenas de lugares de culto, ídolos de madeira, altares, ossos de animais sacrificados, oferendas de cerâmica, comida e objetos |
| Visita | Museu ao ar livre Opfermoor Vogtei, com reconstruções dos lugares de culto |
O sítio
Seção intitulada “O sítio”Oberdorla é o santuário germânico continental mais bem estudado. Em vez de um templo, o que se encontrou foi uma lagoa sagrada à beira da qual, ao longo de muitos séculos, sucessivas gerações montaram pequenos lugares de culto: cercados de varas, altares de pedra ou de madeira e postes com figuras talhadas. Atestado
Isso confirma, no chão, o que Tácito diz: o culto germânico acontecia ao ar livre, junto à água e às árvores, e não em templos de pedra (Germania 9). Inferidocomparação com a fonte
Os achados
Seção intitulada “Os achados”- Ídolos de madeira: postes e galhos bifurcados trabalhados em forma humana, alguns claramente femininos (o “ídolo de forquilha”, feito de um galho em V), outros masculinos. Ficavam cravados no chão, no centro dos lugares de culto. Atestado
- Sacrifícios de animais: ossos de bois, cavalos, cabras e ovelhas, porcos e cães. Muitas vezes se depositavam só a cabeça e as patas, presas ainda ao couro pendurado num poste, enquanto a carne era comida no banquete. Atestado
- Oferendas: vasos de cerâmica com comida, objetos de madeira, ferramentas e adornos lançados na água. Atestado
- Restos humanos: alguns restos humanos foram encontrados. A interpretação como sacrifício é discutida caso a caso. Inferidointerpretação
O que Oberdorla ensina
Seção intitulada “O que Oberdorla ensina”| Lição | Base | Nível |
|---|---|---|
| O culto era ao ar livre, junto à água | O sítio inteiro | Atestado |
| Havia imagens dos deuses, ao contrário do que Tácito sugere | Os ídolos de madeira | Atestado |
| O sacrifício terminava em banquete: os deuses recebiam cabeça, patas e couro; os homens, a carne | Os ossos depositados | Inferido |
| Havia continuidade de culto por mais de mil anos, atravessando povos e épocas | A sequência de lugares de culto | Atestado |
| Havia deusas além de deuses | Os ídolos femininos | Atestado |
O padrão “cabeça e couro aos deuses, carne aos homens” também aparece em outros santuários germânicos e no relato de Adão de Bremen sobre Uppsala. É o modelo do blót como refeição partilhada. Inferido
Oberdorla no Germania Institut hoje
Seção intitulada “Oberdorla no Germania Institut hoje”- Lugar de culto: sempre que possível, montar o lugar de culto junto à água (lago, rio, nascente), com um poste ou galho em forquilha como imagem da divindade.
- Imagens de madeira: o ídolo de forquilha é uma forma atestada e simples de fazer uma imagem de deusa para o altar doméstico.
- A partilha: separar para os deuses uma parte simbólica do banquete (a “cabeça” do pão, o primeiro corte da carne) segue a lógica de Oberdorla.
- Visita: o museu Opfermoor Vogtei é um destino de estudo para membros que viajarem à Alemanha.
Bibliografia
Seção intitulada “Bibliografia”- BEHM-BLANCKE, Günter. Heiligtümer der Germanen und ihrer Vorgänger in Thüringen: die Kultstätte Oberdorla. Stuttgart: Theiss, 2003 (verificar).
- SIMEK, Rudolf. Religion und Mythologie der Germanen. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 2003.
