Encantamento de Lorsch
| Nome | Lorscher Bienensegen (“Bênção de Lorsch para as abelhas”) |
| Língua | Alto-alemão antigo (frâncico renano) |
| Data | Século X |
| Manuscrito | Vaticano, Codex Palatinus latinus 220, fol. 58r. Escrito de cabeça para baixo, na margem inferior |
| Origem | Abadia de Lorsch (Hesse) |
| Finalidade | Fazer um enxame de abelhas pousar e voltar para a colmeia |
Texto e tradução
Seção intitulada “Texto e tradução”Kirst, imbi ist hucze! nu fluic du, vihu minaz, hera fridu frono in munt godes gesunt heim zi comonne. sizi, sizi, bina: inbot dir sancte Maria. hurolob ni habe du: zi holce ni fluc du, noh du mir nindrinnes, noh du mir nintuuinnest. sizi vilu stillo, uuirki godes uuillon.
Tradução:
Atestadoo textoCristo, o enxame está fora! Agora voa, meu bichinho, para cá,
em paz do Senhor, sob a proteção de Deus, para voltar são para casa.
Pousa, pousa, abelha: ordenou-te Santa Maria.
Licença não tens: para o bosque não voes,
nem de mim escapes, nem de mim fujas.
Pousa bem quieta, faz a vontade de Deus.
Comentário
Seção intitulada “Comentário”- O sentido de hucze (“fora”?) e de hurolob (“licença”?) é incerto. As traduções variam. Inferidodebate
- vihu minaz, “meu bichinho”, “meu gado”: o apicultor fala com as abelhas como com animais da casa, com carinho. Atestado
- A estrutura é a de um encantamento: uma ordem direta (“pousa, pousa!”), uma autoridade que a sustenta (Maria, Cristo) e proibições em sequência (“não voes, não escapes, não fujas”). É a mesma lógica dos Encantamentos de Merseburg, com santos no lugar dos deuses. Inferidocomparação
- O fato de ter sido escrito de cabeça para baixo na margem sugere uma anotação prática, feita por alguém que usava o encantamento. Inferido
O paralelo anglo-saxão: Wið ymbe
Seção intitulada “O paralelo anglo-saxão: Wið ymbe”Um encantamento anglo-saxão contra um enxame que foge (Wið ymbe, “contra um enxame”) faz o mesmo pedido, sem nenhum santo. Ele chama as abelhas de sigewif, “mulheres da vitória”: Atestadofonte anglo-saxã
Sitte ge, sigewif, sigað to eorþan, næfre ge wilde to wuda fleogan.
Pousai, mulheres da vitória, descei à terra,
nunca selvagens voeis para o bosque.
- O pedido é o mesmo do texto de Lorsch (“não voes para o bosque”), mas dirigido a seres femininos de poder. Atestado
- Os sigewif lembram as idisi de Merseburg, as valquírias e as Matronae. Talvez as abelhas fossem vistas como, ou sob a proteção de, um coletivo feminino divino. Inferidocomparação
- O ritual que acompanha o encantamento anglo-saxão manda jogar terra com a mão direita sob o pé direito e sobre o enxame. Atestado
O par Lorsch–Wið ymbe mostra um encantamento germânico antigo que, no continente, foi cristianizado e, na Inglaterra, guardou a forma pagã. Inferido
O encantamento no Germania Institut hoje
Seção intitulada “O encantamento no Germania Institut hoje”- Para apicultores: membros que criam abelhas podem usar a fórmula anglo-saxã das sigewif, que não tem nenhuma camada cristã, para acalmar e chamar um enxame, junto com o gesto de jogar terra.
- Modelo de encantamento: o texto de Lorsch ensina a estrutura de um encantamento de comando: ordem direta, autoridade e proibições em série. Pode servir de modelo para compor encantamentos pessoais, substituindo os santos pelos deuses ou pelas idisi, e indicando sempre que se trata de composição moderna.
- Respeito pelo ser vivo: o carinho do “meu bichinho” pode inspirar a relação com os animais da casa.
Bibliografia
Seção intitulada “Bibliografia”- Codex Palatinus latinus 220. Biblioteca Apostólica Vaticana.
- STEINMEYER, Elias von. Die kleineren althochdeutschen Sprachdenkmäler. Berlim: Weidmann, 1916.
- STORMS, Godfrid. Anglo-Saxon Magic. Haia: Martinus Nijhoff, 1948 (verificar).
- SIMEK, Rudolf. Dictionary of Northern Mythology. Cambridge: D. S. Brewer, 1993.
