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Lista de Leitura - Visão de mundo

Publicado em 24 de maio de 2022 · ver no blog original

Apesar de o considerarmos como uma religião, o Paganismo Germânico é abrangente e complexo. Poderíamos simplesmente elencar os diversos deuses e seres divinos que nos são providos pelas Eddas e Sagas, comprar estatuetas, alguns incensos e velas, e então fazer qualquer coisa com tudo isso, a qual chamaríamos de ritual, reza, oração, ou seja lá mais o que poder-se-ia denominar.

Todavia, a cultura pop trouxe à tona tudo isso; não só essa mistura esdrúxula de Cristianismo e cultura Germânica, mas outras coisas tão estapafúrdias quanto: como o nosso famoso Thor loiro, o Valhalla como um paraíso, valquírias como seres bondosos e de beleza estonteante que levam-nos para o paraíso. Todos estes equívocos possuem um número considerável de motivos.

O primeiro certamente é a influência que as “Religiões Mundiais” tiveram (e têm), sobre a cultura e sociedade passada e atual. Basta uma olhada um pouco mais atenta para verificar que muitas das coisas que hoje consideramos comuns vêm de uma veia cristã, enraizada em tudo em nossas vidas. Sendo assim, é compreensível quando decidimos nos desvencilhar de tais costumes na esperança de reviver um modo de viver, de se portar, de ser capaz de trilhar um caminho diferente.

O segundo motivo está intrinsecamente ligado ao primeiro. Ora, se estamos tão acostumados com um mundo cristão, acaba-se por trazer conceitos deste para o âmbito pagão germânico. O que acaba sendo danoso para a “cultura a ser revivida” de forma geral é quando trazemos estes conceitos com total consciência disso e sem nenhuma perspectiva de mudança. Veja-se que quando nos referimos à “cultura a ser revivida”, estamos a tratar do conceito de “reconstrucionismo”, o qual tem por objetivo recuperar a cultura de nossos ancestrais da melhor forma possível.

Portanto, esta cultura, para que receba um sopro de vida mais uma vez, precisa que estejamos prontos para estudar e aprender. Da mesma forma que um exército não ataca em um terreno totalmente desconhecido, a pessoa que deseja se ligar com sua ancestralidade ou com uma cultura tão rica, porém esquecida, como a germânica, deve estudar os principais conceitos, a visão de mundo dos antigos povos, para que possa então atacar com sabedoria o inimigo chamado ignorância.

Tendo isso em mente, nós do Germânia Institut decidimos por criar listas de leitura que irão abranger os mais diversos temas necessários, tanto para o entendimento básico da cultura e religião, quanto para um entendimento mais avançado, profundo. Recomenda-se utilizar-se da ordem recomendada nesta lista, justamente pelo fato de que ela foi pensada desta forma, e qualquer outra ordem pode afetar a leitura de forma negativa.

As listas seguintes a esta terão regras e requisitos para iniciá-las. Pensamos em seguir este modelo pelo simples fato de evitar distorções e saladas de frutas completamente sem sentido que comprometerão o estudo, o entendimento, e consequentemente impedindo o cenário do Paganismo Germânico crescer de forma saudável no Brasil.

Vale-se salientar que infelizmente quase todo o conteúdo decente para este tipo de assunto encontra-se em idiomas estrangeiros ao nosso. Portanto, os livros indicados estarão majoritariamente em inglês, alguns em alemão, francês, e de línguas nórdicas. Fica aqui, por conseguinte, a valiosa dica de estudar outros idiomas.

Os essenciais:

The Early Germans - Malcolm Todd

The Culture of the Teutons – Vilhelm Grönbech

We are our Deeds – Eric Woddening

Mitos do norte pagão: Os deuses dos nórdicos - Christopher Abram

Observação: A leitura dos livros supracitados são obrigatórios. Cada um destes irá influenciar diretamente como o restante dos estudos seguirá.

Leitura opcional: Os livros citados abaixo são complementares aos essenciais. Leia caso se interesse em alguma tribo ou ponto histórico específico.

  • The History of the Medieval World - Susan Wise Bauer

  • The Later Roman Empire - Amianus Marcellinus

  • The Alamanni and Rome - John F. Drinkwater

  • The Lombards - Neil Christie

Nível 1:

Ao chegar neste nível, o leitor já estará habilitado a analisar conceitos individuais mais de perto, agora já tendo uma ideia mais básica dos mesmos. Com isso, não há problemas para distinguir o que é besteira e o que não é.

The Germanization of Early Medieval Christianity – James C. Russell

Honor in German Literature – George Fenwick Jones

The Ethical World-Concept of the Norse People – Andrew Peter Fors

The Gift – Mauss

The Road to Hel - Hilda R. Ellis Davidson

Gods and Myths of Northern Europe - Hida R. Ellis Davidson

The Tradition of Household Spirits - Claude LeCouteux

Nível 2:

Tendo completado o nível 1, o leitor finalmente entrará em conceitos mais complexos e que exigem um estudo mais calmo e concentrado: o divino. Devido a diferença acentuada do divino cristão ao germânico, tal estudo foi deixado no nível 2 para que fosse evitado comparações e misturebas.

The Sacred and Profane – Mircea Eliade

The Idea of Holy – Rudolf Otto

Runic Amulets and Magic Objects – Mindy McLeod, Bernard Mees

Nível 3:

O nível 3 é onde o leitor terá contato com conceitos que poderão ser inclusive utilizados em outras crenças provenientes dos indo-europeus. Os livros a seguir exigem que o leitor esteja confortável com todos os conceitos e ideias presentes no paganismo germânico, ou haverá confusão.

The Well and the Tree – Paul C. Bauschatz

Lady with a Mead Cup – Michael J. Enright

Texts and Context of the Oldest Runic Inscriptions – Tineke Looijenga

How to Kill a Dragon – Calvert Watkins

Nível 4:

Por fim, este é o nível que o leitor quer alcançar ao iniciar esta lista. Neste, estão as fontes primárias, as quais necessitam de um amadurecimento para que possam serem lidas da forma correta e se entenda de fato o que elas poderiam estar querendo dizer. Tendo este discernimento adquirido durante as leituras anteriores, fica mais fácil de entender como adicionar os ensinamentos das fontes primárias nas práticas atuais.

Algumas das obras abaixo constituem a base mitológica da fé germânica e, portanto, são essenciais para o praticante / estudando desta religião. Uma vez compreendida a visão de mundo dos povos germânicos e tendo desenvolvido um senso crítico que permite separar a influência cristã, é interessante ler estas obras.

É importante citar que não existem muitas bases para o mitologia germânica continental, então acaba-se utilizando as fontes escandinavas considerando as devidas diferenças entre as duas vertentes. Além das Eddas, todos os poemas escáldicos podem ser considerados como fontes mitológicas, pois os kennings carregam forte significado baseado nos mitos. Outra base importante são obras cristãs que citam os deuses ou as práticas religiosas dos povos germânicos e proporcionam preciosas partículas de conhecimento.

Edda em Verso ou Elder Edda;

Edda em Prosa ou Younger Edda - Snorri Sturluson;

Gesta Danorum - Saxo Grammaticus;

Heliand;

_De Temporum Ratione - Venerável Beda;

Indiculus superstitionum et paganiarum_;

Vita Caroli Magni - Einhard;

Beowulf (um poema contido no Nowell Codex);

Todos os poetas escáldicos.

Leges Barbarorum

Dicionários e material de apoio:

O estudante e pesquisador do paganismo germânico invariavelmente acaba esbarrando em palavras ou conceitos desconhecidos. Desta forma é sempre interessante ter como material de apoio dicionários que contém essas palavras chaves para rápida consulta.

O Livro da mitologia nórdica - John Lindow;

Dicionário de História e Cultura da era Viking - Johnni Langer;

Dicionário de mitologia nórdica: Símbolos, mitos e ritos - Johnni Langer;

Enciclopédia de Mitologia - 5a Edição - Marcelo Del Debbio.