Nehalennia
| Região | Foz do Escalda, na Zelândia (Países Baixos) |
| Santuários | Domburg (Walcheren) e Colijnsplaat (Escalda Oriental) |
| Período | Séculos II–III d.C. |
| Achados | Mais de 200 altares e fragmentos votivos |
| Devotos | Sobretudo comerciantes que cruzavam o Mar do Norte rumo à Britânia |
| Atributos | Cão, cesto de frutas, proa de navio, remo |
| Acervos | Rijksmuseum van Oudheden (Leiden) e Zeeuws Museum (Middelburg) |
Os achados
Seção intitulada “Os achados”- Domburg, 1647: uma tempestade arrancou as dunas da praia e expôs as ruínas de um templo e dezenas de altares a uma deusa desconhecida até então. Atestado
- Colijnsplaat, 1970: pescadores retiraram das redes, no Escalda Oriental, os restos de um segundo santuário. Escavações subaquáticas recuperaram mais de cem altares. Atestado
O que as inscrições dizem
Seção intitulada “O que as inscrições dizem”As dedicatórias seguem a fórmula votiva romana: V·S·L·M, votum solvit libens merito, “cumpriu o voto de bom grado, como era merecido”. Muitos devotos agradecem pela mercadoria conservada na travessia (ob merces recte conservatas). Atestado
Os devotos se identificam como comerciantes de sal, de molho de peixe, de vinho e de cerâmica, vindos de Colônia, Trier, Rouen e outras cidades. Atestado
Ou seja, Nehalennia era uma deusa a quem se fazia uma promessa antes da viagem e se pagava a promessa na volta. É um exemplo raro e precioso de uma relação de reciprocidade com uma divindade, documentada pelos próprios fiéis. Atestado
Iconografia
Seção intitulada “Iconografia”Nos altares, Nehalennia aparece quase sempre:
- sentada, com uma capa curta sobre os ombros e às vezes uma touca;
- com um cão sentado a seu lado, que olha para ela;
- com um cesto de frutas (maçãs?) no colo ou a seu lado;
- às vezes com o pé sobre a proa de um navio ou segurando um remo.
O navio e o remo a ligam ao mar. As frutas costumam ser lidas como sinal de abundância e fertilidade. O cão é interpretado como protetor ou guia, talvez ligado também aos mortos. Inferidointerpretação dos símbolos
Germânica ou céltica?
Seção intitulada “Germânica ou céltica?”A região ficava na fronteira entre povos germânicos e célticos (frisiavões, menápios, morinos). A etimologia do nome é discutida: há propostas germânicas e célticas, e nenhuma é consenso. A deusa é regional e foi cultuada num contexto já romanizado. Inferidoidentidade
Para o Instituto, ela é uma divindade do mundo germânico continental em sentido amplo: atestada no território, cultuada por seus habitantes e parente das Matronae da Renânia no estilo e na função.
Nehalennia no Germania Institut hoje
Seção intitulada “Nehalennia no Germania Institut hoje”- Voto de viagem: fazer uma promessa a Nehalennia antes de uma viagem (por mar, mas também por terra ou ar) e cumpri-la na volta com uma oferenda ou um pequeno altar, como faziam os comerciantes.
- Comércio e negócios: invocá-la como protetora de quem trabalha com comércio, transporte e logística.
- Oferendas: frutas (maçãs) e a imagem do cão, seguindo a iconografia.
- Gratidão pública: tornar o agradecimento visível e registrado, como nas inscrições, faz parte do culto.
Bibliografia
Seção intitulada “Bibliografia”- HONDIUS-CRONE, Ada. The Temple of Nehalennia at Domburg. Amsterdã: Meulenhoff, 1955 (verificar).
- STUART, P.; BOGAERS, J. E. Nehalennia: Römische Steindenkmäler aus der Oosterschelde bei Colijnsplaat. Leiden: Rijksmuseum van Oudheden, 2001 (verificar).
- SIMEK, Rudolf. Dictionary of Northern Mythology. Cambridge: D. S. Brewer, 1993.
