Matronae
| Nome | Matronae (“as Senhoras”, “as Mães”); também Matres |
| Região principal | Germânia Inferior: Renânia, de Colônia e Bonn à região de Jülich e ao Eifel |
| Período | Séculos I–V d.C., com auge por volta de 160–240 |
| Achados | Mais de 1.100 altares e pedras votivas |
| Santuários conhecidos | Pesch, Nettersheim, Bonn (sob a catedral, o Münster), Morken-Harff |
| Forma | Quase sempre três mulheres sentadas |
Os achados
Seção intitulada “Os achados”As Matronae são o culto germânico continental mais bem documentado que existe. Os altares foram dedicados por soldados, funcionários, famílias e pessoas comuns, homens e mulheres, ao longo de três séculos. Atestado
Sítios importantes:
- Bonn, sob a catedral (Münster): dezenas de altares às Matronae Aufaniae. Atestado
- Nettersheim (Eifel): santuário das Aufaniae, com parte reconstruída e aberta à visita. Atestado
- Pesch (Eifel): grande santuário das Matronae Vacallinehae. Atestado
- Morken-Harff: dezenas de altares às Austriahenae. Atestado
Os nomes
Seção intitulada “Os nomes”Cada grupo de Matronae tinha um epíteto, geralmente ligado a um lugar, um clã ou uma qualidade. Muitos são germânicos. Outros são célticos ou latinos, porque a região era mista. Atestadoos nomes
| Epíteto | Interpretação proposta | Nível |
|---|---|---|
| Alagabiae | “as que dão tudo” | Inferido |
| Austriahenae | ligado ao “leste” ou à primavera (cf. Eostre?) | Inferido |
| Afliae | “as poderosas” (cf. nórdico antigo afl, “força”) | Inferido |
| Gabiae | “as doadoras” (cf. gabe, “dádiva”) | Inferido |
| Aufaniae, Vacallinehae | de lugar ou clã, de sentido incerto | Inferido |
O sufixo frequente -henae / -hinehae parece formar nomes de grupos ou de lugares. Talvez seja o mesmo elemento de Baduhenna. Inferidohipótese
Iconografia
Seção intitulada “Iconografia”Os relevos mostram três mulheres sentadas num banco:
- as duas das pontas usam uma grande touca redonda, típica das mulheres casadas da tribo dos úbios;
- a do meio, mais jovem, tem os cabelos soltos, o que costuma ser lido como sinal de uma moça não casada;
- seguram cestos de frutas no colo;
- nas laterais dos altares aparecem cenas de sacrifício (porcos, incenso, frutas) e símbolos de abundância, como árvores e cornucópias.
As dedicatórias trazem fórmulas como ex imperio ipsarum, “por ordem delas”: o devoto ergueu o altar porque as Matronae o exigiram, talvez num sonho. Atestado
Funções
Seção intitulada “Funções”| Função | Base | Nível |
|---|---|---|
| Protetoras de famílias, clãs e lugares | Epítetos de clã e de lugar | Inferido |
| Abundância e fertilidade | Frutas, cornucópias, sacrifícios | Inferido |
| Deusas que falam e exigem | ex imperio ipsarum | Atestado |
Parentes no mundo germânico
Seção intitulada “Parentes no mundo germânico”- Mōdraniht: Beda (De temporum ratione 15, 725 d.C.) conta que os anglo-saxões pagãos chamavam a noite de 24 de dezembro de Mōdraniht, “noite das mães”, e a celebravam com cerimônias. Atestadofonte anglo-saxã A ligação com as Matronae continentais é muito provável, mas não demonstrada. Inferido
- As idisi de Merseburg, as dísir e as Nornas: são coletivos femininos ligados ao destino e à proteção. Vários autores os veem como herdeiros do mesmo tipo de culto. Veja os artigos do blog abaixo. Inferido
- Nehalennia, as Alaisiagae e Baduhenna são outras deusas regionais do Baixo Reno e da costa.
As Matronae no Germania Institut hoje
Seção intitulada “As Matronae no Germania Institut hoje”- Mōdraniht: celebrar a “noite das mães”, honrando as Matronae e as ancestrais femininas da família.
- Culto doméstico: manter uma imagem ou pequeno altar das três Senhoras, com oferendas de frutas e incenso, como nos relevos.
- Matronae da família: dar às “Matronae” da própria família um epíteto, à maneira dos clãs renanos, ligado ao sobrenome ou ao lugar de origem.
- Pagar a promessa: como nas inscrições, fazer um pedido e, se for atendido, registrar a gratidão (votum solvit libens merito).
Bibliografia
Seção intitulada “Bibliografia”- BAUCHHENSS, Gerhard; NEUMANN, Günter (orgs.). Matronen und verwandte Gottheiten. Colônia: Rheinland-Verlag, 1987 (Beihefte der Bonner Jahrbücher, 44) (verificar).
- GARMAN, Alex G. The Cult of the Matronae in the Roman Rhineland. Lewiston: Edwin Mellen, 2008.
- SHAW, Philip A. Pagan Goddesses in the Early Germanic World: Eostre, Hreda and the Cult of Matrons. Londres: Bristol Classical Press, 2011.
- BEDA. De temporum ratione, cap. 15.
- SIMEK, Rudolf. Dictionary of Northern Mythology. Cambridge: D. S. Brewer, 1993.
Leia mais no blog
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