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Encantamento das Nove Ervas

AtestadoRascunho · aguardando revisãoPor Germania Institut. Tradução de André Schürhaus Hyeda
Nome Nigon Wyrta Galdor (inglês antigo), “encantamento das nove ervas”
Língua Inglês antigo, em verso aliterativo
Manuscrito Londres, British Library, Harley MS 585, a coleção chamada Lacnunga (“remédios”)
Data do manuscrito Fim do século X ou início do XI
Finalidade Preparar uma pomada contra venenos, infecções e “o que vem voando” (doenças invisíveis)
Divindade citada Woden

O Encantamento das Nove Ervas é, ao lado dos Encantamentos de Merseburg, o texto em que Wodan aparece agindo como curador. Merseburg é continental e o Nove Ervas é anglo-saxão: os dois mostram o mesmo deus com a mesma função, dos dois lados do Mar do Norte. Atestado

O manuscrito é tardio e cristão, mas a camada principal do encantamento é claramente mais antiga: as ervas tratadas como seres vivos com memória e vontade, a obsessão pelos números três e nove e o papel de Woden. Há consenso acadêmico nesse ponto. Inferidoconsenso acadêmico

Gemyne ðu mucgwyrt, hwæt þu ameldodest, hwæt þu renadest æt Regenmelde. Una þu hattest, yldost wyrta.

Lembra-te, Artemísia, o que proclamaste,
o que decretaste em Regenmeld.
Una és chamada, a mais antiga das ervas.

  • O encantamento fala diretamente com a planta e a lembra de um feito passado. É a mesma lógica da historiola: o que a erva fez uma vez, fará de novo. Atestado
  • Regenmeld (“grande proclamação”?) e Alorford (mais adiante) são lugares míticos desconhecidos. São indícios de narrativas que se perderam. Inferido

Wyrm com snican, toslat he nan; ða genam Woden VIIII wuldortanas, sloh ða þa næddran þæt heo on VIIII tofleah. Þær geændade æppel and attor þæt heo næfre ne wolde on hus bugan.

A serpente veio rastejando; não matou ninguém.
Então Wōden tomou nove ramos gloriosos
e golpeou a serpente, de modo que ela se despedaçou em nove partes.
Ali, a maçã pôs fim à peçonha
para que nunca mais habitasse numa casa.

  • É o centro mítico do encantamento: Woden derrota a serpente, fonte do veneno, com nove wuldortanas, “ramos ou varetas de glória”. Atestado
  • Os wuldortanas foram lidos como varetas com runas gravadas ou como as próprias nove ervas. Lembram as varetas de sorte de Tácito, cap. 10. Inferidointerpretação
  • A ideia de que a doença vem de uma serpente ou “verme” (wyrm) despedaçado é comum na medicina mágica germânica. Inferido

Camomila e funcho, duas de grande poder;
essas ervas criou o sábio Senhor,
santo nos céus, quando pendia.

  • Þa he hongode, “quando pendia”: na cruz, para o escriba cristão. Mas a imagem de um deus que pende e obtém poder lembra Odin pendurado na árvore no Hávamál 138. O tradutor manteve a ambiguidade de propósito. Inferidodebate
  • Mais adiante, “Cristo permaneceu acima de toda enfermidade” é claramente um acréscimo cristão sobreposto ao texto.

Somente eu conheço o rio corrente
onde as nove serpentes vigiam.
Que toda a vegetação agora brote em ervas;
que o mar se abra, toda a água salgada,
quando eu soprar para fora de ti esta peçonha.

  • O curador afirma um conhecimento secreto, de natureza quase xamânica, e expulsa o veneno pelo sopro. Atestado
Inglês antigo Identificação Certeza
mucgwyrt Artemísia (Artemisia vulgaris) Muito alta
wegbrade Tanchagem (Plantago major) Muito alta
stune Incerta Muito baixa
stiðe Incerta Muito baixa
attorlaðe Incerta Muito baixa
mægðe Camomila-brava? (controversa) Baixa
wergulu Verbasco? Moderada
fille Camomila Alta
finule Funcho (Foeniculum vulgare) Muito alta

Tabela segundo a tradução do Instituto. A receita acrescenta agrião, urtiga, maçã silvestre, sabão velho, cinza e ovo.

O manuscrito manda cantar o encantamento três vezes sobre cada erva e sobre a maçã antes de preparar a pomada. Depois, canta-se de novo na boca do doente, nos dois ouvidos e sobre a ferida, antes de aplicar o unguento. Atestado

Reconstrução moderna
  • Sem uso medicinal: o Instituto não recomenda preparar nem aplicar a pomada como remédio. A identificação de várias ervas é incerta, e a receita não tem validação médica.
  • Rito de proteção e cura: recitar o encantamento (ou o trecho de Woden) como prece de cura, junto com o tratamento médico. Pode-se usar as nove ervas, ou as identificadas com segurança, como oferenda ou como ramo sobre o altar.
  • Os nove ramos: nove varetas, com ou sem runas, podem ser objeto ritual em ritos de proteção da casa, em memória dos wuldortanas de Woden.
  • Junto com Merseburg: em ritos de cura dedicados a Wodan, recitar os dois textos em sequência: o continental e o anglo-saxão.
  • British Library, Harley MS 585 (Lacnunga).
  • PETTIT, Edward (ed.). Anglo-Saxon Remedies, Charms, and Prayers from British Library MS Harley 585. 2 v. Lewiston: Edwin Mellen Press, 2001.
  • STORMS, Godfrid. Anglo-Saxon Magic. Haia: Martinus Nijhoff, 1948.