Encantamento das Nove Ervas
| Nome | Nigon Wyrta Galdor (inglês antigo), “encantamento das nove ervas” |
| Língua | Inglês antigo, em verso aliterativo |
| Manuscrito | Londres, British Library, Harley MS 585, a coleção chamada Lacnunga (“remédios”) |
| Data do manuscrito | Fim do século X ou início do XI |
| Finalidade | Preparar uma pomada contra venenos, infecções e “o que vem voando” (doenças invisíveis) |
| Divindade citada | Woden |
Por que importa
Seção intitulada “Por que importa”O Encantamento das Nove Ervas é, ao lado dos Encantamentos de Merseburg, o texto em que Wodan aparece agindo como curador. Merseburg é continental e o Nove Ervas é anglo-saxão: os dois mostram o mesmo deus com a mesma função, dos dois lados do Mar do Norte. Atestado
O manuscrito é tardio e cristão, mas a camada principal do encantamento é claramente mais antiga: as ervas tratadas como seres vivos com memória e vontade, a obsessão pelos números três e nove e o papel de Woden. Há consenso acadêmico nesse ponto. Inferidoconsenso acadêmico
Trechos
Seção intitulada “Trechos”A abertura: falando com a erva
Seção intitulada “A abertura: falando com a erva”Gemyne ðu mucgwyrt, hwæt þu ameldodest, hwæt þu renadest æt Regenmelde. Una þu hattest, yldost wyrta.
Lembra-te, Artemísia, o que proclamaste,
o que decretaste em Regenmeld.
Una és chamada, a mais antiga das ervas.
- O encantamento fala diretamente com a planta e a lembra de um feito passado. É a mesma lógica da historiola: o que a erva fez uma vez, fará de novo. Atestado
- Regenmeld (“grande proclamação”?) e Alorford (mais adiante) são lugares míticos desconhecidos. São indícios de narrativas que se perderam. Inferido
Woden e os nove ramos de glória
Seção intitulada “Woden e os nove ramos de glória”Wyrm com snican, toslat he nan; ða genam Woden VIIII wuldortanas, sloh ða þa næddran þæt heo on VIIII tofleah. Þær geændade æppel and attor þæt heo næfre ne wolde on hus bugan.
A serpente veio rastejando; não matou ninguém.
Então Wōden tomou nove ramos gloriosos
e golpeou a serpente, de modo que ela se despedaçou em nove partes.
Ali, a maçã pôs fim à peçonha
para que nunca mais habitasse numa casa.
- É o centro mítico do encantamento: Woden derrota a serpente, fonte do veneno, com nove wuldortanas, “ramos ou varetas de glória”. Atestado
- Os wuldortanas foram lidos como varetas com runas gravadas ou como as próprias nove ervas. Lembram as varetas de sorte de Tácito, cap. 10. Inferidointerpretação
- A ideia de que a doença vem de uma serpente ou “verme” (wyrm) despedaçado é comum na medicina mágica germânica. Inferido
A camada cristã
Seção intitulada “A camada cristã”Camomila e funcho, duas de grande poder;
essas ervas criou o sábio Senhor,
santo nos céus, quando pendia.
- Þa he hongode, “quando pendia”: na cruz, para o escriba cristão. Mas a imagem de um deus que pende e obtém poder lembra Odin pendurado na árvore no Hávamál 138. O tradutor manteve a ambiguidade de propósito. Inferidodebate
- Mais adiante, “Cristo permaneceu acima de toda enfermidade” é claramente um acréscimo cristão sobreposto ao texto.
O fecho: as nove serpentes
Seção intitulada “O fecho: as nove serpentes”Somente eu conheço o rio corrente
onde as nove serpentes vigiam.
Que toda a vegetação agora brote em ervas;
que o mar se abra, toda a água salgada,
quando eu soprar para fora de ti esta peçonha.
- O curador afirma um conhecimento secreto, de natureza quase xamânica, e expulsa o veneno pelo sopro. Atestado
As nove ervas
Seção intitulada “As nove ervas”| Inglês antigo | Identificação | Certeza |
|---|---|---|
| mucgwyrt | Artemísia (Artemisia vulgaris) | Muito alta |
| wegbrade | Tanchagem (Plantago major) | Muito alta |
| stune | Incerta | Muito baixa |
| stiðe | Incerta | Muito baixa |
| attorlaðe | Incerta | Muito baixa |
| mægðe | Camomila-brava? (controversa) | Baixa |
| wergulu | Verbasco? | Moderada |
| fille | Camomila | Alta |
| finule | Funcho (Foeniculum vulgare) | Muito alta |
Tabela segundo a tradução do Instituto. A receita acrescenta agrião, urtiga, maçã silvestre, sabão velho, cinza e ovo.
O manuscrito manda cantar o encantamento três vezes sobre cada erva e sobre a maçã antes de preparar a pomada. Depois, canta-se de novo na boca do doente, nos dois ouvidos e sobre a ferida, antes de aplicar o unguento. Atestado
O encantamento no Germania Institut hoje
Seção intitulada “O encantamento no Germania Institut hoje”- Sem uso medicinal: o Instituto não recomenda preparar nem aplicar a pomada como remédio. A identificação de várias ervas é incerta, e a receita não tem validação médica.
- Rito de proteção e cura: recitar o encantamento (ou o trecho de Woden) como prece de cura, junto com o tratamento médico. Pode-se usar as nove ervas, ou as identificadas com segurança, como oferenda ou como ramo sobre o altar.
- Os nove ramos: nove varetas, com ou sem runas, podem ser objeto ritual em ritos de proteção da casa, em memória dos wuldortanas de Woden.
- Junto com Merseburg: em ritos de cura dedicados a Wodan, recitar os dois textos em sequência: o continental e o anglo-saxão.
Bibliografia
Seção intitulada “Bibliografia”- British Library, Harley MS 585 (Lacnunga).
- PETTIT, Edward (ed.). Anglo-Saxon Remedies, Charms, and Prayers from British Library MS Harley 585. 2 v. Lewiston: Edwin Mellen Press, 2001.
- STORMS, Godfrid. Anglo-Saxon Magic. Haia: Martinus Nijhoff, 1948.
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