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Blót

AtestadoRascunho · aguardando revisãoPor Germania Institut
Protogermânico *blōtaną, “sacrificar, cultuar”
Gótico blotan, “cultuar”
Alto-alemão antigo bluozan, “sacrificar”
Inglês antigo blōtan (verbo); Blōtmōnaþ, “mês dos sacrifícios” (novembro)
Nórdico antigo blót (substantivo), blóta (verbo)
Essência Oferenda aos deuses, seguida de banquete partilhado

Apesar da semelhança, blót não vem de “sangue” (protogermânico *blōþą, alemão Blut). A palavra vem de *blōtaną, “cultuar, sacrificar”. O gótico blotan traduz o grego “cultuar” na Bíblia de Wulfila. Atestadolinguística histórica

O centro do rito é a dádiva: algo de valor é entregue aos deuses, na lógica da reciprocidade. “Um presente pede um presente”, como diz o Hávamál 145. Inferidofonte nórdica

  • Tácito, Germania 9 e 10 (98 d.C.): os germanos cultuam os deuses em bosques sagrados, não em templos. Sacrificam animais (e, a Mercúrio, homens) e consultam a sorte com varetas e com cavalos brancos sagrados. Atestado
  • Tácito, Anais I.61: no local da derrota de Varo (9 d.C.), os romanos encontram “altares bárbaros” e crânios pregados nas árvores. Atestado
  • Tácito, Germania 39: os semnões se reúnem em um bosque sagrado e, “em nome do povo”, fazem um sacrifício humano. Ninguém entra no bosque sem estar amarrado, em sinal de submissão ao deus. Atestado
  • Jonas de Bobbio, Vida de São Columbano (século VII): os alamanos se reúnem em torno de uma grande tina de cerveja para oferecê-la a Wodan. Atestado
  • Indiculus superstitionum (século VIII): condena, entre outras coisas, sacrifícios “nas pedras”, “nas fontes” e “nos bosques”, e as festas a Júpiter e Mercúrio. Atestado
  • Capitulatio de partibus Saxoniae (por volta de 782): a lei de Carlos Magno pune quem fizer votos em fontes, árvores e bosques, ou comer em honra dos “demônios”. É a prova de que a refeição sacrificial ainda era praticada pelos saxões. Atestado
  • Oberdorla (Turíngia): santuário em turfeira usado por séculos, com ossos de animais sacrificados, oferendas e ídolos de madeira. Atestadoarqueologia

A descrição mais completa está na Saga de Hákon, o Bom (Snorri, Heimskringla, século XIII), sobre o blót de Lade, na Noruega. Inferidofonte nórdica tardia

  1. Todos trazem a comida e a cerveja para a festa.
  2. Os animais são sacrificados, e o sangue (hlaut) é recolhido em tigelas.
  3. Com ramos (hlautteinar), o sangue é aspergido sobre os altares, as paredes e as pessoas.
  4. A carne é cozida em caldeirões sobre o fogo, no centro do salão.
  5. O chefe consagra as taças e a comida. As taças passam por cima do fogo.
  6. Seguem os brindes: a Odin, pela vitória; a Njörðr e Freyr, por um bom ano e paz; o bragarfull (a taça dos juramentos); e, por fim, aos parentes mortos (minni).

Os elementos 1, 5 e 6 combinam com o pouco que se sabe do continente: a refeição em honra dos deuses e a oferenda de cerveja. Os detalhes (aspersão, ordem dos brindes) são nórdicos. Inferido

Reconstrução moderna

O Instituto não pratica sacrifício animal. A oferenda é a parte do banquete separada para os deuses: carne comprada, pão, cerveja, hidromel, frutas. O princípio se mantém: o melhor da mesa vai primeiro aos deuses.

  1. Preparação. Separe com antecedência a comida e a bebida, de preferência feitas ou escolhidas para a ocasião. Arrume o altar com a imagem ou o símbolo da divindade e um recipiente para as oferendas.

  2. Abertura. Faça uma prece de invocação aos deuses que serão honrados (e, se quiser, aos ancestrais e aos espíritos do lugar). Acenda o fogo.

  3. Oferenda. Coloque no altar a porção separada para os deuses. Se o grupo quiser, asperja cerveja ou hidromel com um ramo sobre o altar e os presentes, em lugar do hlaut.

  4. Consagração e brindes. Quem conduz consagra a bebida e a comida. Seguem os brindes: aos deuses, aos ancestrais e, se for o caso, os juramentos (veja Sumbel).

  5. Banquete. A comida consagrada é partilhada entre todos.

  6. Encerramento. Faça uma prece de agradecimento. Depois, as oferendas são devolvidas à natureza (enterradas, deixadas sob uma árvore, derramadas na terra) e nunca jogadas no lixo.

Um blót pode ser feito sozinho. É o rito básico de qualquer pagão germânico. Para as datas dos grandes blóts do ano, veja o Calendário.

  • TÁCITO. Germania, caps. 9, 10 e 39; Anais, I.61.
  • JONAS DE BOBBIO. Vita Columbani, livro I.
  • Indiculus superstitionum et paganiarum.
  • Capitulatio de partibus Saxoniae.
  • SNORRI STURLUSON. Heimskringla: Hákonar saga góða.
  • BEHM-BLANCKE, Günter. Heiligtümer der Germanen und ihrer Vorgänger in Thüringen: die Kultstätte Oberdorla. Stuttgart: Theiss, 2003 (verificar).